Foi ontem a semifinal do
Concurso Eurovisão da Canção. Convém deixar uma pequena nota referente ao sistema de votação do concurso. Todas as pessoas (a nível europeu) podem votar em quem quiserem excepto no artista que representa o seu país.
Este ano antes do concurso em si houve algo demasiado mau: o apelo por parte de quem está em Portugal para aqueles que se encontram no resto da Europa votarem na nossa canção (apelo aos portugueses entenda-se). Quer dizer, estamos a pedir que votem numa canção só porque é portuguesa? E se for uma má canção? E se não gostarem? Não é por sermos portugueses que temos de gostar do que é cá feito. Não me pareceu que a música fosse das piores (comparativamente com os anos anteriores), portanto para quê implorar de joelhos um voto dos emigrantes, e dos outros que estão lá por fora? Até penso que votariam no nosso representante de qualquer modo, como tantas vezes têm feito. Pelos vistos só este ano apareceu algum receio que assim não fosse, dado o decrescente interesse no festival. Tempos e interesses mudam mas por algo motivo há quem insista em formatos menos adaptados.
Não me parece que fosse necessário tal humilhação. Acho bem que possam pedir um voto para nós mas com moderação, humildade e sempre acompanhando com algo do género:
"se gostarem, por favor votem em nós".
Temos obrigação de defender o que é nosso, o que é português? Não, cada um defende o que lhe parece bem e quando existe motivação real e lógica para tal,
"gostar" seria um bom motivo, mas só o ser portuguesa não chega. Podemos defender o que é nosso apenas por o ser mas quando tem algum valor histórico, étnico, etc., aí sim, vale o esforço em preservar, e até promover, algo nacional.
Devemos espalhar o que fazemos pelo mundo fora, mas não o devemos impor a ninguém, muito menos aos nossos compatriotas. E menos ainda pedir votos como se fossem um favor, dando a ideia que se não for assim não conseguiremos ganhar nada. A meu ver sabia muito melhor um décimo lugar conseguido com mérito, com votos estrangeiros (e reais de quem gostou mesmo) a um primeiro devido aos portugueses comprados pela ligação à pátria. É falsear o jogo e tirar partido de um fenómeno que infelizmente é tão generalizado na nossa cultura, a emigração em massa. Seria melhor para o país a vitória? Não creio que faça assim tanta diferença, mas se quem está metido no concurso tiver alguma consciência do que se passou espero que esta lhes fique a pesar pela campanha efectuada. Não merecíamos como povo ser tão rebaixados pelos nossos.
Tudo isto é, para mim, apenas uma fantasmagórica falta de auto estima.